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Documentos
Históricos,
Direto da Fonte
O contexto da Independência
do Brasil, há 177 anos atrás, envolvia diversas questões,
além de um suposto "patriotismo nacional". Ao romper com as determinações
de Lisboa, o príncipe regente, que tornou-se D.Pedro I, elaborou
da seguinte maneira sua fala aos paulistas, quando de seu retorno à
capital, no Rio de janeiro
Honrados paulistanos:
O amor que eu consagro ao Brasil em geral, e à vossa província
em particular, por ser aquela que, perante mim e o mundo inteiro, fez conhecer
primeiro que todo o sistema maquiavélico, desorganizador e faccioso
das Cortes de Lisboa me obrigou a vir entre vós fazer consolidar
a fraternal união e tranqüilidade, que vacilava e era ameaçada
por desorganizadores que em breve conhecereis, fechada que seja a devassa
a que mandei proceder.
Quando eu mais que contente estava junto de vós, chegam notícias
que de Lisboa os traidores da nação, os infames deputados
pretendem fazer atacar ao Brasil, e tirar-lhe do seu seio seu defensor.
Cumpre-me como tal tomar todas as medidas, que minha imaginação
me sugerir; e para que estas sejam tomadas com aquela madureza que em tais
crises se requer, sou obrigado para servir ao meu ídolo, o Brasil,
a separar-me de vós (o que muito sinto), indo para o Rio ouvir meus
conselheiros, e providenciar sobre negócios de tão alta monta.
Eu vos asseguro que coisa nenhuma me poderia ser mais sensível do
que o golpe que minha alma sofre, separando-me de meus amigos paulistanos,
a quem o Brasil e eu devemos os bens, que gozamos, e esperamos gozar de
uma Constituição liberal e judiciosa.
Agora, paulistanos, só vos resta conservardes união entre
vós, não só por ser esse o dever de todos os bons
brasileiros, mas também porque a nossa pátria está
ameaçada de sofrer uma guerra, que não só nos há
de ser feita pelas tropas que de Portugal forem mandadas, mas igualmente
pelos seus servis partidistas e vis emissários, que entre nós
existem atraiçoando-nos.
Quando as autoridades vos não administrarem aquela justiça
imparcial, que delas deve ser inseparável, representai-me, que eu
providenciarei. A divisa do Brasil deve ser “Independência ou Morte!”.
Sabei que, quando trato da causa pública, não tenho amigos
e validos em ocasião alguma.
Existi tranqüilos: acautelai-vos dos facciosos sectários das
Cortes de Lisboa; e contai em toda a ocasião com o vosso defensor
perpétuo.
[Ass.] Príncipe
regente
[Extraído
de Paulo Bonavides & R. A. Amaral Vieira (orgs.), Textos políticos
da história do Brasil. (Independência — Império — I).
Fortaleza: Imprensa Universitária da Universidade Federal do Ceará,
s/d., pp. 55-6]
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