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| A dissertação
de mestrado da historiadora Telma Campanha de Carvalho, Fotografia e
Cidade: São Paulo na Década de 1930, reúne um
excelente levantamento bibliográfico sobre a história da
fotografia no Brasil, uma reflexão bem fundada sobre os critérios
metodológicos para a utilização da fotografia como
fonte documental e uma inovadora leitura sobre a produção
de imagens de três instituições na época.
Partindo de um levantamento do acervo fotográfico, deparou-se com uma peculiaridade das imagens deste período: ao contrário do que ocorria nas duas primeiras décadas do século, e que voltaria a ocorrer nos anos 40, a representação de São Paulo não foi valorizada em vistosos álbuns que vangloriavam a cidade. O acervo reduzido, em termos proporcionais, num momento em que o fotojornalismo ganhava espaço no mundo, gerou inquietação e levou-a a aprofundar-se na pesquisa sobre a produção fotográfica de três institucioções. Telma escolheu três marcos representativos de setores distintos da sociedade: 1) o Departamento de Cultura da prefeitura, órgão público, criado em 1935 pelo prefeito Fábio Prado. Era responsável pelo registro oficial dos trabalhos e obras desenvolvidos pela administração municipal. 2) a Light, empresa canadense, que possuiu um papel central na definição dos rumos do crescimento da cidade. Seu acervo reflete os "registros de uma empresa privada preocupada em documentar sua atuação nas transformações urbanas, ressaltando facilidades e benefícios dos serviços que oferecia". 3) O jornal "O Estado de São Paulo": um dos mais influentes das primeiras décadas do século. O viés jornalístico busca um "caráter imparcial e objetivo", mas na verdade, em seu papel de voz da elite paulistana, "ressaltavam e evidenciavam alguns fatos ; outros ao contrário eram ignorados". Consideradas suas diferenças, as imagens apresentadas do acervo das três instituições apontam, segundo a autora, para um momento de transformação urbana intensa, em que há um horizonte de progresso identificado como moderno que está sendo buscado, e que as imagens buscam reforçar. Neste sentido, compreende-se porque a década de 30 não cabe em um álbum: ela é o período intermediário entre a destruição do espaço urbano identificado como velho e a renovação dos espaços. Através do Plano de Avenidas do prefeito Prestes Maia, do novo Viaduto do Chá, das pontes sobre o Rio Pinheiros, e da atuação do Departamento de Cultura, no sentido de aproximar a população aos comportamentos compatíveis com a vida moderna, o que há nas imagens é um "vir a ser", um projeto social , econômico e político, que, de formas distintas, as três esferas subscrevem. Chama a atenção, neste contexto, a pouca expressão de áreas da cidade que não sejam as centrais, e a ausência de registros dos problemas urbanos, como enchentes e moradias precárias. Tampouco registravam-se manifestações políticas ou reuniões populares. Nas palavras de Telma, "recuperando essa produção fotográfica, contextualizada em seus objetivos e interesses, a partir da análise de suas instituições produtoras" pode-se levantar "nas imagens signos da construção de uma memória da cidade para este período. (...) É resgatar a cidade ‘montada’ e ‘idealizada’ pelas fotografias produzidas pelas instituições, detectando como os recursos técnicos e estéticos favorecem, ressaltam ou ocultam elementos do urbano, a fim de se criar uma imagem específica de São Paulo". |
| Autora:
Telma Campanha de Carvalho
Instituição: PUC-São Paulo Orientação: Prof.Dr. Déa Ribeiro Fenelon Apoio: Cnpq Acervos Analisados: Departamento de Cultura: acervo no Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo O Estado de São Paulo - Agência Estado Light - Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo |
