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A América Latina na visão de Intelectuais Brasileiros nas Primeiras Décadas Republicanas América Latina. Esta denominação, usada com naturalidade atualmente, traz consigo uma longa história de conflitos em sua definição. O Brasil, único país de língua portuguesa pertencente a este conjunto, perguntou-se muitas vezes sobre as semelhanças e diferenças de projetos nacionais em relação aos seus vizinhos.
Afinal,
o Brasil é ou não é parte da América Latina?
Nas iniciativas de definir-se uma identidade nacional brasileira após a independência, o artifício de comparação com os países vizinhos era freqüentemente usado, louvando a “ordem e unidade” do Império, em face à “anarquia e fragmentação” das Repúblicas vizinhas. Mas no final do século XIX também o Brasil adota o regime republicano, o que estimulou a necessidade de repensar o discurso do período imperial. Os intelectuais brasileiros
respondiam não só às transformações
internas com o advento da República como também ao movimento
evidente dos Estados Unidos da América que buscavam a ampliação
de sua esfera de influência através do Pan-americanismo.
Este surgiu no ano de 1889, quando
aconteceu em Washington a Primeira Conferência Internacional Americana,
que mesmo antes de começar já ganhara o codinome “Pan-americana”
na imprensa. A iniciativa era do secretário de estado norte-americano
James G. Blaine, com claras intenções de criar vínculos
comerciais mais estreitos com o crescente mercado consumidor representado
pelos outros países da América. Era a aplicação
prática de ideiais que já vinham sendo difundidos desde o
surgimento da doutrina Monroe, na presidência de James Monroe, em
1823, que pedia uma "América para os americanos".
O embate que se dava nos marcos intelectuais brasileiros passava pela admiração do modelo americano, visto como modelo de civilização a ser apropriado para o Brasil, ou a completa negação destes valores, visto como afirmação do individualismo, da submissão a uma cultura completamente estranha às raízes brasileiras, da aceitação de um projeto de dominação francamente imperialista. O trabalho de Kátia
Gerab Baggio contribui, assim, para nos guiar pelos caminhos da construção
da identidade brasileira no que diz respeito a esta relação
com as demais nações da América. O período
analisado é de importância fundamental para a compreensão
deste tema.
Copyright © Webhistoria 24 de novembro de 1999. |